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Dr. Matheus Koike

REUMATOLOGISTA | CRM/SP 193783 - RQE 110482

A prática de atividade física intensa tem crescido muito nos últimos anos, especialmente modalidades como o CrossFit. Com isso, também aumentou o número de pessoas que procuram atendimento médico por dores persistentes após o treino.

Sentir dor muscular após o exercício é esperado e faz parte do processo de adaptação do corpo. No entanto, quando a dor se torna frequente, prolongada ou começa a interferir nas atividades do dia a dia, é importante investigar se ela ainda é apenas consequência do treino, ou se pode indicar uma lesão ou até uma doença reumatológica.

O que é considerado dor crônica?

Chamamos de dor crônica aquela que persiste por mais de três meses, mesmo após o período normal de recuperação tecidual.

Diferente da dor muscular comum após o exercício (a chamada dor muscular tardia), a dor crônica costuma apresentar características específicas:

  • persiste mesmo com descanso
  • retorna rapidamente após o treino
  • pode ocorrer em repouso ou durante a noite
  • frequentemente vem acompanhada de rigidez ou fadiga

Nem toda dor prolongada em atletas é causada por sobrecarga mecânica.

Por que os praticantes de CrossFit podem sentir mais dor?

O CrossFit combina movimentos funcionais realizados em alta intensidade e com grande repetição. Esse tipo de estímulo gera benefícios cardiovasculares e musculares importantes, mas também aumenta a demanda sobre articulações e tendões.

Principais fatores associados à dor persistente:

  • aumento rápido da carga de treino
  • técnica inadequada em movimentos complexos
  • recuperação insuficiente entre sessões
  • privação de sono
  • excesso de treinos semanais

Estudos mostram uma incidência de aproximadamente 2,1 a 3,1 lesões musculoesqueléticas por 1.000 horas de treino, índice semelhante ao observado em outros esportes de alta intensidade (Weisenthal et al., Orthopaedic Journal of Sports Medicine, 2014).

Quais são as regiões mais afetadas?

Na prática clínica, as queixas mais comuns envolvem:

  • ombros especialmente em movimentos acima da cabeça
  • coluna lombar levantamento de peso e movimentos explosivos
  • joelhos agachamentos repetitivos
  • tendões principalmente tendinopatias crônicas

Na maioria dos casos, essas dores estão relacionadas à sobrecarga mecânica. Porém, nem sempre é assim.

Quando a dor pode indicar uma doença reumatológica?

Alguns sinais devem chamar atenção, principalmente quando a dor não melhora com ajustes no treino.

Procure avaliação médica se houver:

  • rigidez articular pela manhã por mais de 30 minutos
  • inchaço nas articulações
  • dor que acorda durante a noite
  • fadiga intensa desproporcional ao treino
  • dor em múltiplas articulações simultaneamente

Esses sintomas podem sugerir condições inflamatórias, como artrites ou síndromes de dor crônica não inflamatória, incluindo quadros de sensibilização central.

Dor do treino ou alteração no processamento da dor?

Um conceito cada vez mais estudado é o da dor nociplástica, na qual o sistema nervoso passa a amplificar sinais dolorosos mesmo sem lesão estrutural ativa.

Atletas submetidos a estresse físico contínuo, privação de recuperação e sobrecarga emocional podem desenvolver maior sensibilidade à dor, o que explica por que alguns praticantes mantêm sintomas mesmo após interromper o treino.

Reconhecer esse mecanismo é fundamental para evitar tratamentos inadequados ou afastamentos desnecessários da atividade física.

Quando procurar um reumatologista?

O reumatologista não trata apenas doenças autoimunes. Ele é o especialista capacitado para avaliar dores musculoesqueléticas complexas e diferenciar:

  • adaptação fisiológica ao exercício
  • lesões por sobrecarga
  • síndromes dolorosas crônicas
  • doenças inflamatórias articulares

O diagnóstico correto permite ajustar o treino de forma segura, mantendo o paciente ativo, e isso é essencial.

Conclusão

A atividade física é uma das ferramentas mais importantes para prevenção de doenças e melhora da qualidade de vida. Entretanto, a dor persistente nunca deve ser ignorada.

Na dúvida, a avaliação especializada ajuda a identificar precocemente alterações que podem ser tratadas antes de comprometer o desempenho esportivo ou a saúde articular a longo prazo.

Referência científica

  • Weisenthal BM et al. Injury Rate and Patterns Among CrossFit Athletes. Orthopaedic Journal of Sports Medicine. 2014.

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Reumatologista | CRM/SP 193783 - RQE 110482

Médico Reumatologista
CRM/SP 193783 - RQE 110482
Médico Reumatologista em Itaim Bibi – São Paulo, com 8 anos de experiência e mais de 1.000 pacientes atendidos.

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